# Capítulo 30: O Vazio de um Ca?ador
## I. O Silêncio Pós-Morte
O som da chuva era o único lamento. N?o havia mais gritos, nem o rugido distorcido da Black Moon, apenas o *clack!* final, seco e definitivo, ecoando no vazio que se seguiu. A cabe?a de Tobi, separada do corpo, jazia a poucos metros, os olhos ainda abertos fixos em um céu que n?o lhe pertencia mais. O sangue, grosso e escuro, escorria pela terra, misturando-se à água da chuva que tentava, em v?o, lavar a cena.
Zack estava ajoelhado. N?o em reverência, mas em colapso. O peso da espada, que ele ainda segurava frouxamente, era insignificante comparado ao peso daquele silêncio. A Black Moon, que momentos antes havia sido uma fúria descontrolada, estava inerte, retraída para o fundo de sua alma, deixando apenas um vazio frio e cortante.
"Eu quero morrer..."
A voz era um sussurro rouco, repetido como um mantra quebrado. N?o era um desejo de suicídio, mas a constata??o de que a vida, naquele instante, era uma dor insuportável. Ele havia matado seu irm?o, seu amigo, a única ancora que o ligava a um passado menos sombrio. A trai??o de Tobi era um fato, mas a dor da perda era a única verdade que restava.
## II. A Chegada e o Questionamento
O primeiro a chegar foi Orpheus. Ele n?o veio correndo, mas caminhando, a passos lentos e pesados, como se soubesse exatamente o horror que encontraria. Seus olhos, normalmente cheios de uma curiosidade quase infantil, estavam carregados de uma tristeza que parecia ter envelhecido sua alma em décadas. Ele viu o corpo, a cabe?a, e, por fim, Zack.
"Mestre..." A palavra mal saiu.
Orpheus n?o sentiu raiva de Zack. Sentiu apenas a confirma??o do medo de Lyra: o caminho do Ca?ador era um caminho de sangue e perdas irreparáveis. Ele se aproximou, mas parou a uma distancia segura. A aura de desespero que emanava de Zack era quase palpável, uma névoa fria que impedia qualquer conforto.
K chegou logo depois, materializando-se com a precis?o fria de um fantasma. Ela analisou a cena em segundos. O corpo de Tobi, o padr?o de corte, a energia residual do ritual. Sua express?o, sempre controlada, vacilou por um instante.
"O ritual foi desfeito," K declarou, a voz baixa e técnica. Ela olhou para a cabe?a de Tobi. "Ele... ele estava envolvido no Dia D. Mas por quê? Ele n?o tinha o perfil de um fanático."
Orpheus, ignorando a análise técnica, olhou para Zack, depois para o corpo. "Ele teve que matar seu irm?o, seu amigo, um Ca?ador de longa data... Que mundo brutal é este, K? é este o caminho que devo seguir?"
K n?o respondeu a Orpheus. Seu foco estava em Zack, cuja Black Moon, embora inerte, ainda pulsava fracamente, um cora??o ferido que se recusava a parar.
## III. O Bebê e a Decis?o
Um choro agudo e incessante rasgou o silêncio.
O som vinha de um ber?o improvisado, escondido sob uma lona rasgada. O bebê, de aproximadamente três anos, chorava com a for?a e a inocência que contrastavam brutalmente com a morte ao seu redor. Seus olhos, quando K se aproximou, eram de um **dourado puro, quase ouro líquido**, um detalhe perturbador e lindo.
K, a pragmática, a fria, a cética, hesitou por um milésimo de segundo. Ent?o, com a eficiência de quem lida com uma bomba-relógio, ela pegou a crian?a no colo. O choro n?o cessou, mas o calor do pequeno corpo era um lembrete gritante de que a vida persistia.
"A Morte (Tobi) está morto, o ritual foi desfeito," K disse, olhando para Orpheus. "Mas este bebê... ele é o ponto focal. Ele é o legado da trai??o e da inocência. Precisamos tirá-lo daqui. Agora."
K caminhou na dire??o de Zack, segurando o bebê.
## IV. A Confronta??o Silenciosa
"Zack!" A voz de K era um chicote.
Zack n?o se moveu. Ele continuava repetindo o mantra de morte.
K parou a poucos passos, o bebê chorando em seus bra?os. Orpheus tentou intervir, mas K o parou com um olhar.
"Sua dor é real, Ca?ador," K disse, a voz agora carregada de uma dureza calculada. "Mas a amea?a é maior. Tobi fez sua escolha. Você fez a sua. E agora, você tem outras escolhas a fazer."
Ela usou as palavras mais cruéis e necessárias.
"Lyra e Mira precisam de você. Elas est?o se recuperando, mas precisam do seu mestre para sobreviver. Se você se afundar neste luto, o que Tobi fez terá sido em v?o. O mestre do ritual ainda está lá fora. E este bebê," ela apertou a crian?a contra o peito, "n?o pode ficar aqui."
A men??o de Lyra e Mira foi o primeiro golpe que atingiu a catatonia de Zack. A imagem de suas pupilas, o medo em seus olhos, a necessidade delas. A dor de Zack era um oceano, mas a urgência de protegê-las era uma ilha minúscula onde ele poderia se agarrar.
Ele finalmente levantou a cabe?a. Seus olhos estavam vazios, mas o vazio estava come?ando a ser preenchido por uma fúria fria.
## V. O Rastro do Mestre
K tentou conversar, buscando informa??es sobre Tobi, o ritual, o bebê e o passado deles. Mas Zack n?o respondia. Ele se levantou, cambaleando, e caminhou até o corpo de Tobi.
"N?o toquem nele," a voz de Zack era um comando, n?o um pedido. "Eu vou enterrá-lo. Sozinho."
Orpheus e K se entreolharam. Eles entenderam. Zack precisava daquele último ato de lealdade, de manter a promessa de dar um enterro digno ao amigo, mesmo que esse amigo tivesse se tornado um traidor.
"Nós levaremos o bebê para o esconderijo," K concordou, a pragmática cedendo ao luto do Ca?ador. "Volte para nós. Você é o único que pode nos guiar agora."
Zack apenas assentiu, pegando o corpo de Tobi nos bra?os. Ele ignorou a cabe?a, que K, com um suspiro, cobriu com a lona.
Ele caminhou por horas, subindo uma montanha íngreme e desolada, onde o pico parecia encontrar a lua negra. Ao chegar ao topo, ele cavou a terra fria e molhada com as próprias m?os, um ato de penitência e desespero.
Ao colocar o corpo na cova, ele notou algo. Um pequeno caderno, escondido no bolso interno do casaco de Tobi, protegido da chuva.
Com as m?os trêmulas, Zack abriu o caderno. Estava cheio de anota??es, símbolos, informa??es sobre o ritual, e o que parecia ser um diário codificado. Tobi havia deixado um rastro de migalhas de p?o, sabendo que morreria.
Zack folheou as páginas, absorvendo a dor e a informa??o. Na última página, em uma caligrafia apressada, estava escrito:
> "Eu te avisei Zack, nós teríamos que lutar até a morte.
> a bebida no bar foi maravilhoso, foi uma das melhores coisas que aconteceu na minha vida."
O ar deixou os pulm?es de Zack em um solu?o silencioso. Ele se lembrou da noite, anos atrás, quando beberam até cair, rindo das piadas idiotas de Tobi, dan?ando abra?ados como irm?os. A frase, "Na cara n?o para n?o estragar o enterro," que eles usavam em brincadeiras de luta, havia se tornado uma profecia brutal.
Zack chorou. N?o com gritos, mas com lágrimas silenciosas e quentes que escorriam pelo seu rosto, misturando-se à chuva. Ele n?o podia estragar o enterro. Ele n?o podia falhar com a última vontade de seu amigo.
Tobi n?o foi apenas um traidor; ele foi um pe?o. Um pe?o que, no final, tentou deixar um último presente: a verdade.
## VI. A Promessa Quebrada
Zack fechou o caderno, enterrando-o junto ao corpo de Tobi. Ele cobriu a cova, marcando o local com uma pedra bruta.
A dor n?o havia sumido, mas havia se transformado. O desespero catat?nico deu lugar a uma **fúria fria e focada**.
Ele se levantou, a Black Moon voltando a pulsar, mas desta vez, sob um controle de a?o. A promessa de Zack de perdoar o mundo, de buscar a paz, estava quebrada.
Ele olhou para o horizonte, onde a cidade jazia sob a chuva.
Ele treinaria Orpheus. Ele cuidaria do bebê de olhos dourados. E ele acabaria com todos que manipularam e distorceram a mente de seu amigo. Nanashi, o país Poliedro, o verdadeiro mestre do ritual, **Skull**.
A ca?ada havia mudado. N?o era mais sobre sobrevivência ou justi?a. Era sobre aniquila??o.
O Vazio de um Ca?ador havia sido preenchido pela **determina??o brutal de um Rei**.
***
Pre?o da Despedida
## I. Três Anos de Solid?o e Treinamento
O tempo, para alguns, é um rio que flui suavemente; para outros, é uma maré implacável que esculpe a dor. Três anos haviam se passado desde a batalha que reescreveu a paisagem da Cidade Vermelha. A energia espiritual liberada no confronto entre Tobi e Zack n?o apenas curou, mas transformou a popula??o, canalizando uma fé e uma for?a coletiva para um único ponto: **Ygon**.
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Ygon era uma for?a da natureza. Com quase três metros de altura, pele negra como a noite e olhos vermelhos que pareciam brasas acesas, ele era a personifica??o da for?a bruta. Seu corpo era um mapa de cicatrizes, e uma imponente tatuagem de le?o cobria suas costas. Vestido com roupas de ca?ador, ele n?o era um nobre, nem um seguidor da Vis?o, nem se importava com Skull. Ninguém sabia sua origem, mas suas m?os firmes, secas e calejadas contavam a história de quem havia chegado ao topo a partir do mais baixo degrau.
A Cidade Vermelha, antes um basti?o da Vis?o, agora jurava lealdade a Ygon. Seu discurso era um veneno doce para os oprimidos: ele n?o buscava paz ou uni?o, mas sim a ca?ada. Ygon pregava a invers?o da ordem: a opress?o sofrida pelos olhos vermelhos e negros se tornaria a alimenta??o para oprimir aqueles que, outrora, os ca?avam. A ca?ada aos olhos negros e vermelhos havia acabado, mas a guerra, ele prometia, estava apenas come?ando. O mundo n?o sabia, mas Ygon havia se preparado por anos para uma guerra onde apenas o mais forte sobreviveria.
Longe da turbulência da cidade, a vida de Zack e seu grupo havia se estabelecido em um lar-fortaleza. à beira do Lago Negro e aninhada nas Florestas Vermelhas, uma casa simples de madeira e tijolos servia como refúgio e campo de treinamento.
### O Menino
O ponto focal dessa nova vida era o **Menino**. Aos seis anos, ele era uma crian?a de inteligência emocional surpreendente. Seus olhos de ouro e cabelos dourados, um segredo que n?o podia ser revelado, eram mantidos sob um disfarce de negro gra?as ao **Pergaminho da Ilus?o de K**.
Zack era um mestre duro, mas seu amor e preocupa??o eram a funda??o de cada li??o. O treinamento come?ava cedo, com uma adaga pequena, evoluindo para técnicas de espada e luta corpo a corpo. Zack o levava para passeios longos, ensinando-lhe a história do mundo, a filosofia da Vis?o e de Skull. A frequência desses momentos fortalecia a conex?o entre eles.
Certa vez, o Menino, com a inocência e a perspicácia de sua idade, questionou:
— Zack, de onde eu vim? Quem é a minha família?
O sorriso de Zack era sempre o mesmo: leve, mas carregado de uma tristeza que o Menino, em sua maturidade precoce, sentia. Ele se agachou, o olhar no mesmo nível do garoto.
— Ainda n?o é o momento de saber, garoto. Mas um dia, eu vou te contar tudo. E n?o importa o que aconte?a, eu sempre estarei ao seu lado.
O Menino, feliz por ter a promessa e o amor de Zack, n?o questionava mais. Ele compreendia a situa??o. Antes de voltarem para casa, Zack sempre o lembrava:
— Você foi treinado para usar o físico e a espada. Seu poder deve ser escondido a todo custo. N?o o mostre, nunca.
O Menino, sem saber o motivo exato, obedecia, confiando que era para o seu próprio bem.
### O Pre?o da Black Moon
A Black Moon n?o era apenas uma espada; era uma aliada, uma ferramenta de vingan?a e, acima de tudo, uma maldi??o. Zack se recusava a abandoná-la, aceitando os pesadelos como o pre?o a pagar.
As noites eram uma tortura. Zack acordava em sobressaltos, memórias fragmentadas e lembran?as esquecidas assaltando sua mente. Lyra e Mira, suas mulheres, que dormiam ao seu lado e o amavam profundamente, percebiam a puni??o. Sua energia oscilava, mudando como se ele estivesse ca?ando alguém em seu sono.
Em uma madrugada particularmente cruel, Lyra acordou e viu Zack sentado em uma cadeira, olhando fixamente para sua m?o. Uma energia escura e densa o envolvia. Ao se aproximar, Zack gritou, um som rouco e desesperado:
— N?o se aproxime!
Mira acordou com o grito e, em panico, sacou sua pistola. Lyra, porém, manteve o olhar fixo em Zack, preparada para o que viesse. Zack sorriu, um sorriso carregado de uma tristeza abissal.
— Minhas m?os est?o cheias de sangue, Lyra.
Elas n?o entendiam.
— Eu só quero morrer, mas n?o consigo... Será que fui uma pessoa t?o ruim assim?
Lyra come?ou a chorar. Mira tentou se manter firme, mas a dor de ver o homem que amava sofrer tanto era insuportável.
— Você realmente quer morrer, Zack? — perguntou Mira, a voz embargada.
Zack balan?ou a cabe?a, confirmando.
Lyra, enxugando as lágrimas, falou com a boca trêmula:
— A gente vai acabar com seu sofrimento, Zack. Apenas suporte mais um pouco. As crian?as precisam de você, e a gente também.
— Eu n?o quero ver vocês sofrerem por mim — disse Zack.
Mira rebateu, a determina??o substituindo a tristeza:
— A gente já está sofrendo, Zack. Porém, eu n?o vou mais te abandonar. Lyra e eu vamos morrer juntas com você.
Zack se levantou, mas Lyra foi mais rápida, pulando em seus bra?os.
— Já chega, Zack. A gente se decidiu quando você voltou.
Mira veio logo em seguida, abra?ando-o com for?a. Naquele momento, o vínculo entre eles cresceu ainda mais, um amor verdadeiro forjado na dor e na aceita??o mútua da escurid?o.
### Orpheus e K
Orpheus, agora com 1,88m, cabelos longos e vermelhos, era forte, mas arrogante e rebelde. Salvo por Zack da escravid?o, ele ansiava por seguir os passos de seu mestre, salvar pessoas e conhecer o mundo. Ele queria partir.
Ele confidenciou seus motivos a K, Lyra e Mira, pedindo que n?o contassem a Zack. Ele n?o queria criar esperan?a; se falhasse, n?o queria manchar o nome e o legado de seu mestre. Embora n?o concordassem com a partida, elas apoiaram Orpheus.
K, pragmática e tática, cuidava do Menino e do disfarce, ensinando-lhe técnicas de camuflagem e como manter a aparência. Ela era a mente fria do grupo, a estrategista silenciosa.
## II. O Desafio e a Alian?a
O confronto veio em uma tarde de treino. Orpheus, impaciente, confrontou Zack, exigindo sua liberdade.
— Mestre, eu preciso ir. Preciso fazer o que você faz.
Zack, com a Black Moon em repouso, olhou para o jovem com um misto de orgulho e preocupa??o.
— Você quer a liberdade, Orpheus? Eu te dou. Mas com uma condi??o.
— Qual?
— Se você me derrotar, você está livre. — Zack apontou para a espada. — Mostre aquilo que te ensinei. Se você n?o me vencer, n?o estará preparado para o mundo lá fora.
Orpheus entendeu o teste. Ele sabia que, sozinho, n?o tinha chance. Ele procurou K, Lyra e Mira.
— Eu preciso da ajuda de vocês. é a única forma de eu conseguir a liberdade.
A alian?a foi formada por amor a Orpheus e por um desejo silencioso de testar o próprio crescimento. Zack aceitou a luta 4 contra 1, por amor ao seu discípulo e para testar a coordena??o do grupo.
## III. O Início do Combate: O Ataque Coordenado
O campo de treinamento isolado estava banhado pela luz fria da **Black Moon** (a lua real). O ar estava denso, carregado de expectativa.
**K** iniciou o combate. Sua tática era a invisibilidade. Usando sua supress?o de presen?a, ela se posicionou em um ponto cego. Ela era o cérebro, o ponto de press?o. Em um movimento rápido, ela ativou sua habilidade: **"Fraco"**. O objetivo era desequilibrar os atributos de Zack, trocando sua for?a pela fraqueza de K.
Simultaneamente, **Lyra** entrou em a??o. Sua agilidade era sobre-humana. Ela usou sua manipula??o gravitacional/ades?o para correr pelas paredes e teto, transformando o campo em um plano tridimensional de ataque. Adagas precisas e mortais eram lan?adas de angulos inesperados, for?ando Zack a se mover e quebrar sua postura defensiva.
**Mira** veio em seguida, em um frenesi controlado. A pistola Yellow disparava rajadas de energia enquanto ela manipulava dezenas de cartas energizadas, transformando-as em laminas de proje??o. Ela focava em ataques de área, uma chuva de projéteis para sobrecarregar a defesa de Zack, mantendo o controle fino para evitar os aliados.
**Orpheus** era a ponta da lan?a. Ele ativou **Dog’s Blood (Nível 1)**, e sua velocidade e percep??o aumentaram exponencialmente. Com a Koyote, ele atacava com movimentos sobre-humanos, visando o momento de distra??o criado pelas três.
Zack, no centro do caos, estava contido. Ele usava a Black Moon para criar escudos de energia escura, bloqueando e desviando os ataques coordenados. Ele analisava, testava o crescimento de cada um, um sorriso quase imperceptível em seus lábios.
A coordena??o do grupo era quase perfeita. Lyra o prendeu com a gravidade, Mira o sobrecarregou com a chuva de cartas, e Orpheus, aproveitando a abertura, conseguiu desferir um golpe que o atingiu de rasp?o. O momento crucial veio quando a habilidade **"Fraco"** de K o atingiu em cheio. Zack cambaleou, e o grupo sentiu a vitória ao alcance das m?os.
## IV. A Virada e a Revela??o do Rei
A coordena??o do grupo havia funcionado. Zack estava perdendo.
Foi ent?o que a **Fúria Fria** se manifestou.
Zack liberou seu poder. A Black Moon, que até ent?o estava apenas defendendo, brilhou com uma luz negra intensa. K, que sentiu seus atributos serem trocados, percebeu o erro fatal: sua habilidade só funcionava em seres vivos. A Black Moon era uma entidade n?o-viva, e o poder de Zack estava intrinsecamente ligado a ela. A troca de atributos n?o estava funcionando.
A energia negra explodiu, engolindo o campo de treinamento. As árvores vermelhas da floresta se tornaram negras, a lua vermelha no céu se tornou negra. O ambiente mudou, transformando-se em um pesadelo tangível.
**K** foi a primeira a cair. Sua mente foi engolida pela escurid?o da Black Moon. Ela sentiu desespero, medo, morte. Seu corpo tremeu, suas pernas ficaram fracas. A vis?o era aterradora: ela viu sua amiga enforcada, amarrada em uma árvore seca e morta. K viu a si mesma crian?a, rindo alto enquanto segurava a corda. Ela puxava a corda, enforcando ainda mais a amiga, que engasgava de dor. K gritou de desespero, mas seu corpo adulto se juntou à K crian?a, puxando a corda, e ela gostava. K come?ou a chorar e rir ao mesmo tempo, puxando a corda que enforcava sua amiga.
Orpheus, Lyra e Mira viram K paralisada, em transe, rindo e chorando. A Black Moon havia engolido sua mente. Orpheus gritou para Zack parar, mas ele n?o respondeu. Lyra e Mira olharam para Zack, mas ele n?o parou.
— Você acha que indo embora as pessoas n?o v?o atacar aquilo que você mais importa, Orpheus? — A voz de Zack era fria, cortante.
Orpheus viu K, os olhos arregalados, rindo e chorando. A raiva de Zack, a raiva por ele n?o entender o perigo, fez Orpheus explodir.
— **Técnica Nível 3: Eclipse Sangue!**
O ambiente ficou vermelho. Uma energia carmesim floresceu no campo de batalha, diferente da escurid?o de Zack. Era esperan?a, era vida. A energia deu sentimentos positivos a Lyra e Mira, e despertou K de seu transe. O corpo de Orpheus irradiava um calor vermelho, e sua katana brilhava com um sangue puro.
Em um instante, Orpheus desapareceu, atacando Zack de todos os lados, flutuando no ar. Zack rebateu com a Black Moon, os ataques se chocando em faíscas negras e vermelhas.
Lyra usou seu poder de gravidade para parar os movimentos de Zack, tornando-o mais lento. Mira usou seu baralho, jogando todas as cartas em volta de Zack, criando uma cúpula gigante de cartas com energia explosiva. Lyra usou a gravidade para deixar as cartas mais leves, e Orpheus fez o mesmo. Um combo perfeito, todos unidos para parar Zack.
K, de longe, estava atordoada. Ela compreendeu o horror.
*Ele está se segurando... Meu Deus.*
### A Técnica de Zack
A demonstra??o final de poder foi cinematográfica.
Zack parou de rebater. Ele ergueu a Black Moon e, em um movimento rápido, criou uma **onda de choque** de energia escura que dispersou o grupo. Ele se moveu com uma velocidade e precis?o que superaram a de Orpheus, dominando o campo. Seu poder n?o era apenas for?a bruta, mas o controle absoluto sobre o horror.
Com um golpe preciso da Black Moon, Zack desarmou Orpheus. A espada voou e cravou-se no ch?o.
Ele imobilizou Lyra com uma press?o de energia escura sobre ela, for?ando-a a cair de joelhos, incapaz de usar a gravidade.
Mira, ao tentar reagir, sentiu a press?o da energia escura sobre seu corpo, for?ando-a a recuar ao ponto de sangrar pelo nariz, o limite de seu uso de poder.
Zack parou. Ele n?o os feriu gravemente. A li??o estava dada.
## V. A Diferen?a Brutal de Poderes
O silêncio caiu sobre o campo de treinamento. As árvores negras voltaram ao vermelho, a lua negra voltou ao seu tom original. K, Lyra e Mira se levantaram, exaustas e aterrorizadas.
Zack, vitorioso, guardou a Black Moon.
— A for?a n?o é a capacidade de bater mais forte, Orpheus. A for?a é a **vontade inabalável de proteger o que se ama**. Vocês lutaram bem, mas ainda n?o entendem o verdadeiro custo da guerra. O mundo lá fora n?o vai testar vocês; ele vai matar vocês. E se vocês n?o conseguem me vencer, n?o conseguir?o proteger ninguém.
Orpheus, agora humilde, entendeu a profundidade do poder de Zack e o peso de sua solid?o. Ele se ajoelhou, n?o em derrota, mas em respeito.
— Eu entendi, Mestre. Eu entendi o pre?o.
A despedida foi agridoce. Lyra e Mira o abra?aram, K lhe deu um mapa e um pergaminho de comunica??o.
— Volte vivo, Orpheus — disse Lyra, as lágrimas escorrendo.
— E n?o manche o nome do Mestre — completou K.
Orpheus partiu, levando consigo a li??o brutal e o amor de sua família.
Zack retornou ao esconderijo. O **Menino** o esperava, sentado na soleira da porta, com a adaga pequena na m?o.
Zack se aproximou, sentou-se ao lado dele e o abra?ou.
— Ele se foi, Zack?
— Sim, garoto. Ele se foi.
Zack olhou para o horizonte, para a escurid?o que a Black Moon havia trazido e levado. A promessa de vingan?a e a necessidade de prote??o para o Menino eram mais fortes do que nunca. Ele era o Rei do Horror, e o mundo pagaria o pre?o por tudo que ele havia perdido.
O capítulo terminou com Zack olhando para o Menino, o futuro e a escurid?o em seus olhos.

